Excelentíssimo Senhor Prefeito de Monte Azul Paulista, Marcelo Otaviano;
Ilustríssimo Senhor Presidente da Câmara Municipal de Monte Azul Paulista, Fábio Gerônimo Marques;
Ilustríssimo Senhor Vereador Rodrigo Arruda, em nome de quem saúdo os representantes desta Casa;
Senhoras e Senhores aqui presentes;
Queridos amigos,
Por muitos anos, desejei estar nesta tribuna, na condição de cidadão honorário deste município, que sempre me acolheu como um dos seus.
Recentemente, por iniciativa do Senhor Secretário de Agricultura, Antonio Henrique Balbino Pereira — querido amigo que ora me representa neste ato solene — e por meio de projeto de lei do Senhor Vereador Rodrigo Arruda, tenho a imensa satisfação de fazer parte desta comunidade, não mais como um visitante privilegiado, mas como cidadão de direito.
Por força de circunstâncias de ordem pessoal e familiar, quis o acaso que eu não estivesse presente para receber essa honrosa e grata distinção e celebrar esse momento com os amigos queridos.
Ainda que distante, estejam certos de que comemoro, de forma íntima e vibrante, esse reconhecimento que tanto me honra.
Desde muito menino, frequento Monte Azul Paulista na condição, como disse, de visitante privilegiado. Privilegiado porque foi neste rincão que meus ascendentes fincaram suas raízes mais profundas.
A história de minha família se confunde com a história da criação desta comarca, como descreve o pesquisador e escritor João Massoneto em Monte Azul Paulista (1896–1996), a história de sua existência e em As ruas de minha terra.
Nesta última obra, o escritor registra a trajetória de meu bisavô, Fritz Hotz, que, a partir de 1896, passou a contribuir para o desenvolvimento do município, então denominado “Vila São Bom Jesus do Avanhandavinha”.
Tendo em vista seu comprometimento com o progresso da nova comarca, Fritz Hotz foi eleito presidente da Câmara Municipal em dois mandatos: o primeiro em 1917 e o segundo em 1922, segundo conta Massoneto.
Meu bisavô teve a sorte de contar com o apoio e o afeto de uma grande mulher: Hortência Meyer Vasconcellos Hotz — companheira altiva e serena, que sempre o amparou.
Ela era herdeira, por direito, das terras que constituíam a Fazenda Monte Rosa, parte em Monte Azul Paulista, outra parte no município de Bebedouro.
Rendo aqui minha homenagem à minha bisavó: uma mulher de fibra e monteazulense por adoção.
Ao longo das décadas seguintes, seus filhos conduziram os negócios da família, em especial a expansão e consolidação da Fazenda Monte Rosa, sempre alinhados aos interesses do município e de seus cidadãos.
Tendo em vista o compromisso histórico de nosso clã com a perenidade e a manutenção de nossas origens, cumpre destacar que as propriedades estão na família há sete gerações.
Desde 2004 — há quase vinte anos, portanto — administro as fazendas Jacutinga e Marimbondo, parcelas que originalmente faziam parte do núcleo original da Fazenda Monte Rosa.
Nessa jornada de duas décadas, sempre privilegiei a geração de riqueza compartilhada: seja por meio da criação de trabalho e renda no município de Monte Azul Paulista, na forma de empregos diretos e indiretos; seja contribuindo com a geração de impostos locais.
Em um país tão injusto e desigual como o nosso, gerar oportunidades de trabalho e condições de vida dignas não é pouca coisa.
Todavia, em minha jornada pouco previsível como administrador e cidadão, persegui os princípios que norteiam o desenvolvimento sustentável: aquele que busca satisfazer as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem as suas.
Nesse sentido, contando com o apoio incondicional de minha esposa, meus filhos, minha mãe e irmã, e minha tia — meus sócios —, as fazendas Jacutinga e Marimbondo foram certificadas, neste ano, pela importante norma internacional Sustainable Agriculture Initiative.
Essa certificação assegura que todos os processos sociais, ambientais e de governança estejam ajustados a parâmetros de excelência.
Para atingi-la, investimos em recursos humanos, revisão de impactos ambientais e novos padrões de gestão e governança ao longo de dezoito meses de intenso trabalho.
Com isso, nosso negócio obterá melhores condições de negociação no mercado de crédito de carbono, como parte do Programa RenovaBio, do Governo Federal.
Queridos amigos e concidadãos,
Neste 18 de setembro de 2023, recebo o título de cidadão honorário com muita emoção e alegria.
Estou certo de que o querido Henrique fez todas as pausas emotivas e dramáticas na interpretação deste breve e sincero agradecimento — caso não tenha feito, peçam para que ele leia novamente!
De ora em diante, quando me perguntarem de onde sou, direi que nasci na cidade de São Paulo, no ano da graça de Nosso Senhor de 1962, e que, aos 61 anos, renasci em Monte Azul Paulista.
E por ser a mais pura verdade, despeço-me com todo o meu afeto.
Rodolfo Witzig Guttilla
18 de setembro de 2023
